sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Seria a religião um veneno? Dr. Rodrigo Silva

O Prêmio Nobel de Química e a evidência de um Designer

Por Dr. Rodrigo Meneghetti Pontes, prof. de Química da UEM

O Prêmio Nobel de Química de 2016 foi concedido a Jean-Pierre Sauvage, Sir J. Fraser Stoddart e Bernard L. Feringa “pelo design e síntese de máquinas moleculares”. [1] O trabalho desses pesquisadores é realmente muito interessante. Você já parou para se perguntar o quão pequena pode ser uma máquina? Imagine um computador de apenas 2 mm! Pois bem, isso já existe. Trata-se do Michigan Micro Mote (M3), desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Michigan. [2] O M3 é um sistema de computação completo, sendo capaz de receber dados, processar esses dados, tomar decisões e produzir dados de saída. Parece realmente incrível, mas o que os ganhadores do Nobel de Química de 2016 fizeram vai muito além. Por exemplo, Stoddart e sua equipe, em 1991, desenvolveram um rotaxano. [3] Para isso, Stoddart coordenou a criação de uma molécula longa, na forma de um eixo, e a inseriu em uma outra molécula em forma de anel. Mudando o ambiente químico, os pesquisadores podiam fazer o anel se mover ao longo do eixo, da mesma forma como um trem se move sobre seus trilhos. Mas o movimento era de certa forma bem restrito, como se o trem pudesse ir e voltar apenas entre duas estações.

Em 1999, Feringa e seu grupo publicaram um trabalho no qual descrevem a rotação controlada de uma molécula. [4] O movimento molecular é, por natureza, caótico. As moléculas transladam e realizam rotações em direções aleatórias. Feringa, no entanto, utilizou-se de técnicas bastante sofisticadas para fazer com que uma parte da uma molécula girasse em relação à outra parte em uma direção definida e de forma controlada. Para isso, foi necessário realizar um procedimento que envolvia resfriamento a -55ºC, seguido de irradiação com luz de comprimentos de onda bem específicos e aquecimentos em etapas controladas. Embora os pesquisadores tenham mostrado que esse tipo de movimento é possível, a forma como isso foi alcançado não é nada prática.

Um outro tipo de máquina molecular descoberta há alguns anos realiza tarefas fantásticas. Essa máquina possui um compartimento capaz de armazenar algum tipo de material para transporte e um sistema de tração que a faz se movimentar em uma direção definida. Essa máquina trabalha de forma integrada com outras e é capaz de receber sua carga, caminhar sobre um filamento e entregar a carga em seu destino. O mais impressionante é que ela faz tudo isso sem intervenção externa, ao contrário das máquinas de Sauvage, Stoddart e Feringa. Mas se não bastasse isso, existe também uma linha de montagem para essa máquina, com um rigoroso controle de qualidade. Cada parte dessa linha de montagem é composta por outras máquinas moleculares bastante complexas. Essas máquinas são capazes de acessar o banco de dados com o projeto para a construção, selecionar os materiais certos, executar a montagem em uma sequência coerente e realizar um controle de qualidade em cada etapa. A própria linha de montagem está sujeita a um protocolo de controle que determina quando uma máquina molecular deve ser produzida, ou seja, a produção se dá de acordo com a demanda. Comparar essa máquina de transporte e o seu sistema de montagem com as máquinas de Sauvage, Stoddart e Feringa é como comparar um chocalho de criança às últimas gerações de smatphones. Mas então por que o Prêmio Nobel de Química foi outorgado a esses pesquisadores e não ao inventor dessa máquina de transporte?

Essa máquina de transporte é chamada de cinesina, é encontrada no interior das células e têm a função de transportar as proteínas recém preparadas até o local onde elas são necessárias. A linha de montagem é todo o aparato celular para a síntese de proteínas. Tudo funciona como numa fábrica com tecnologia sofisticadíssima, com procedimentos automatizados, mini robôs programados para executar funções bastante especializadas e softwares extremamente eficientes. Mas pasmem! Enquanto a Academia de Ciências concede um Prêmio Nobel aos brinquedos de Sauvage, Stoddart e Feringa, em reconhecimento ao seu árduo trabalho de planejamento e síntese, um grupo de pretensos cientistas alega que toda a maquinaria celular surgiu completamente ao acaso!

Os ganhadores do Prêmio Nobel de Química de 2016 não foram, nem de longe, os inventores dos motores moleculares. São imitadores de algo que já está aí desde o princípio. Se algo tão simples como uma molécula que pode se mover em uma direção merece um Prêmio Nobel, que tipo de reconhecimento daríamos ao Projetista das cinesinas e do flagelo bacteriano, obras primas químicas inigualáveis? Um interruptor ou um rotor (tal como os de Sauvage, Stoddart e Feringa) precisa de um projetista e de uma hábil equipe para sua construção, que tenha à sua disposição compostos químicos muito específicos e caros e equipamentos bastante sofisticados. Mas quando nos deparamos com a cinesina, aí tudo muda. Ela simplesmente surgiu de processos aleatórios, não teve um Projetista e nem um Criador. Isso porque já estamos nos referindo ao produto final, sem sequer levar em consideração que as máquinas biológicas se montam sozinhas. Não precisam de nossa interferência.

Quando Paley apresentou seu argumento em meados do século XIX, os críticos do planejamento o acusaram de tecer uma analogia entre coisas muito diferentes. Não se poderia comparar o corpo humano com as máquinas construídas pelo homem, diziam eles. Numa época em que quase nada se sabia sobre a vida no nível subcelular, essa objeção poderia até ser razoável. Todavia, os avanços recentes da bioquímica e da química têm mostrado que a correspondência entre as máquinas produzidas pelo homem e os sistemas encontrados no interior das células é muito mais forte do que se imaginava a princípio. E mais do que isso, que a tecnologia molecular do interior das células deixa nossos melhores esforços no chinelo. Até quando vamos continuar fechando os olhos para o fato óbvio de que há uma Mente Inteligente por trás de tudo isso? Só não conseguem aceitar isso aqueles que fizeram um pacto não científico com a filosofia materialista. Como diz um ditado popular, o pior tipo de cego é aquele que não quer ver.

Referências:

[1] Press Release: The Nobel Prize in Chemistry 2016, https://www.nobelprize.org/nobel_prizes/chemistry/laureates/2016/press.html.

[2] Michigan Micro Mote (M3) Makes History, http://www.eecs.umich.edu/eecs/about/articles/2015/Worlds-Smallest-Computer-Michigan-Micro-Mote.html.

[3] P.L.Anelli,N.Spencer,J.F.Stoddart,J.Am.Chem.Soc.1991, 113,5131–5133.

[4] N. Koumura, R. W. J. Zijlstra, R. A. van Delden, N. Harada, B. L. Feringa, Nature, 401, 152-155.

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

XXIII Seminário "A Filosofia das Origens"

Acesse o site e faça sua inscrição. 
No link abaixo está o cronograma do evento:

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

domingo, 3 de julho de 2016

Especialidade em Astronomia


Especialidade em Astronomia - Desbravadores de André Luiz Marques

Ontem, 02/06, ministrei uma palestra sobre especialidade em astronomia para um clube de desbravadores de Curitiba, o Clube Conquista, e disponibilizo o material em slides para quem interessar. Levei meu telescópio e os desbravadores puderam ver Júpiter, Saturno e Marte. Gostaram muito. Os vídeo utilizados estão nos seguintes links:




terça-feira, 28 de junho de 2016

A Ruptura da União Europeia e a Profecia de Daniel 2

O Reino Unido decidiu em referendo, por mais de 1,2 milhão de votos de diferença, deixar a União Europeia (UE). O resultado da consulta foi divulgado na madrugada de sexta-feira, dia 24 de junho.

A União Europeia foi criada oficialmente no dia 07 de fevereiro de 1992, na Europa, porém sua origem é bem mais antiga e está intimamente ligada a processos anteriores de criação de um grande bloco econômico europeu. Esse bloco surgiu da união dos países que faziam parte do Benelux, que era um pequeno bloco formado pela Holanda, Bélgica e Luxemburgo, com a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA), que era formada pela Alemanha, Itália e França. Após a união desses dois blocos, outros países se juntaram e passaram a fazer parte, que se transformou no Mercado Comum Europeu através do Tratado de Roma, que aconteceu em 1957.

A notícia de que o Reino Unido deixaria de fazer parte do bloco causou uma comoção de postagens, perguntas e reflexões tratando sobre a profecia de Daniel 2. Seria esse fato um cumprimento profético? Antes de responder, creio que uma visão geral do capítulo nos ajuda e entender melhor e formar uma posição equilibrada da profecia, fugindo de qualquer especulação ou alarmismo.

Contexto de Daniel 2

O capítulo narra o momento em que Deus deu a Nabucodonosor um sonho. Havia uma mensagem especial da parte de Deus ao rei e que por extensão chegaria até os últimos dias da história do mundo. Ao acordar, Nabucodonosor não se lembrava dos detalhes do seu sonho, mas sabia que esse sonho tinha certa importância.

Até o verso 3 do capítulo 2, o idioma no qual estava escrito era o hebraico. A partir do verso 4, o texto está em aramaico. Daniel está escrevendo diretamente às nações vizinhas de Israel, que não falavam o hebraico.

Ao acordar, o rei pede que aos sábios de Babilônia que digam a ele qual foi o sonho que ele teve e o que significava. Os sábios de Babilônia não tinham condições de responder ao rei. Eles tentaram ganhar tempo, pois percebiam que a situação iria se complicar, pois Nabucodonosor falava sério. Fica evidente que os pretensos poderes humanos de adivinhação, previsão, astrologia, na realidade não existem. Deus age onde a sabedoria humana não age. Deus faz o que nenhum homem pode fazer e somente Ele é quem conhece o futuro.

Daniel não sabia o que estava acontecendo até que Arioque lhe falou sobre o decreto de morte que o atingiria, por ser um sábio ele também teria que morrer. Daniel mostra calma no momento de aflição, pois confiava em Deus e sabia que o Senhor estava no comando e não precisava se desesperar.

O rei convocou os sábios das mais altas categorias e Daniel e seus amigos, mesmo sendo considerados sábios no capítulo 1, não foram convidados. Quando sabe do decreto, Daniel pede prazo ao rei.

O que mais tinha enfurecido o rei foi a demora dos sábios em lhe dar a resposta. Daniel se apresenta com humildade e simplicidade ao rei. O seu pedido foi diferente. Os caldeus pediam que o rei lhes falasse o sonho e eles interpretariam. Já Daniel pede única e exclusivamente tempo e o rei concedeu.

Daniel voltou para a sua casa e relatou aos seus amigos pedindo a eles que também orassem a Deus pela solução do mistério. O Senhor é o único solucionador das questões impossíveis. Deus mostra a Daniel o sonho e a sua interpretação.

O profeta vai ao encontro do rei e antes de começar a interpretar o sonho, ele faz com que o rei volte a sua mente a Deus. Daniel dá testemunho do Senhor e do Seu poder antes de começar a solucionar o problema. O sonho apresentava uma estátua com metais diferentes. A cabeça era de ouro, os braços e o peito de prata, o ventre de bronze, as pernas de ferro e os pés uma junção heterogênea de barro e ferro.

Cada metal representava um reino diferente conforme a interpretação de Daniel. O rei de Babilônia era a cabeça de ouro, elemento abundante na terra de Babilônia. Os reinos que sucedem são representados por elementos e partes do corpo na estátua que se encaixam por completo na história. Daniel prediz eventos muitos anos antes de acontecerem. Os eventos do capítulo 2 aconteceram no ano 603 a.C.

Pela Bíblia, vemos uma história que sempre foi marcada pela atuação de Deus para chegar até o seu plano final, que é a consumação da história da redenção. Um questionamento que sempre aparece é como isso está relacionado com o livre-arbítrio que Deus deu aos seres humanos.

O que temos, na verdade é um livre-arbítrio condicionado. Embora os seres humanos sejam livres, dentro dele existem limites. Toda vez que o livre-arbítrio do homem começa a interferir nos planos de Deus, Ele atua redirecionando a história. Deus, ao criar o mundo, tinha um plano para toda humanidade, uma história linear. O homem se desviou da rota que lhe foi inicialmente proposta. Deus respeita esse desvio, mas respeita até certo limite, quando isso não influencia no propósito final. Em outras palavras a história não está abandonada por si só, Deus está controlando tudo.

As nações da estátua marcam os impérios de propensões mundiais. Esses quatro impérios mundiais e o império dividido pelos pés em parte de ferro e barro apresentados por Daniel tiveram a sua faixa de tempo no governo, todos comprovados pela história.

Veja um estudo em vídeo sobre o assunto:



Partes da Estátua, Impérios e Períodos

Cabeça de ouro = Babilônia – 605 a 539 a.C.
Peito e braço de prata = Medo-Persa – 539 a 331 a.C.
Ventre e Coxa de bronze = Grécia – 331 – 168 a.C.
Perna de Ferro = Roma – 168 a.C. a 476 d.C.
Pés de ferro e barro = Divisão de Roma que vai desde 476 d.C. até a Volta de Jesus Cristo marcando o final da história desse mundo.

O verso 41 de Daniel 2 apresenta o último império, representado pelos pés como um reino dividido. A história nos mostra que após o império romano, o último império humano de alcance mundial, surgiu uma divisão do império em 10 partes, que são milimetricamente confirmados pelos dez dedos dos pés da estátua.

Os dez reinos resultantes da divisão foram: Francos, Alamanos, Anglos, Lombardos, Visigodos, Suevos, Burgundos, Hérulos, Vândalos e Ostrogodos.

Aplicação final da interpretação profética

O ferro e o barro definem que alguns deles seriam fortes e outros fracos. Como, por exemplo, a força militar que possuíam os francos e visigodos. Mas o fator que mais chama a atenção está no fato de que ferro e barro não se misturam. E isso era uma profecia permanente de que depois do quarto império, os países europeus tentariam se reunificar para formar um novo império, mas não mais se ligariam. Existiram várias tentativas de uma unificação, mas todas sem sucesso, entre elas estão:

Carlos Magno – séc. VIII.

Carlos V – séc. XVI.

Napoleão Bonaparte – séc. XIX.

Kaiser Guilherme II e Hitler no séc. XX.

Todo o insucesso mostra que a profecia estava certa, todas as tentativas foram frustradas, pois a união não foi consolidada. O barro aparece sempre como elemento central dando a ideia da fragilidade dos impérios humanos. A União Europeia, enfraquecida pela possível saída do Reino Unido, é apenas a continuidade da profecia que afirma que ferro e barro não se misturam. Não há nenhum elemento novo, senão a força da revelação bíblica séculos depois da previsão.

A profecia termina com uma pedra que destrói toda a estátua. Ela representa o reino de Cristo que será um reino eterno. Será estabelecido para sempre e terá o mundo todo unido. Haverá sim um império mundial, não mais controlado por homens, mas agora comandados pelo próprio Deus. A pedra que destrói a estátua e cresce do tamanho do mundo é a Volta de Jesus Cristo.

Fonte: Notícia Adventistas
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