sexta-feira, 17 de novembro de 2017

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Órion: o incrível buraco no espaço que enganou os astrônomos

Esta imagem curiosa, retratada pelo telescópio espacial Hubble, parece um farol iluminando uma névoa que está se dispersando, já mostrando um buraco no centro. A analogia é bastante válida. Só que a névoa é poeira e gás, o farol é uma estrela, e o buraco é realmente um fragmento do céu verdadeiramente vazio. Quando essa mancha escura foi fotografada pela primeira vez, em março de 2000, os cientistas presumiram tratar-se de uma nuvem muito fria e densa de gás e poeira, tão grossa que era totalmente opaca na luz visível e bloqueava toda a luz atrás dela – por isso ela aparecia na imagem como um buraco totalmente negro. A argumentação fazia sentido porque existem “glóbulos” desse tipo, pequenos casulos onde a densa poeira está formando estrelas. Contudo, quando o Observatório Espacial Herschel, que enxerga em comprimentos de onda infravermelhos – ondas de calor –, o que permite ver através da poeira, ficou claro que não havia poeira nenhuma lá. É um fragmento do céu verdadeiramente vazio.

Os astrônomos agora acreditam que o buraco foi formado quando jatos de gás de algumas das jovens estrelas da região enevoada perfuraram a camada de pó e gás que forma a nebulosa circundante. A poderosa radiação de uma estrela madura próxima também pode ter ajudado a limpar o buraco.

Por que não se consegue ver nada além dele – estrelas ou galáxias ao fundo, por exemplo – ainda é algo sujeito a especulações.

A estrela brilhante que aparece na imagem é a V380 Orionis, uma estrela jovem com 3,5 vezes a massa do nosso Sol. Ela parece branca devido à sua alta temperatura superficial, de cerca de 10.000 ºC, quase o dobro da temperatura do Sol. A estrela é tão jovem que ainda está cercada por uma nuvem de material remanescente da sua formação. Esse material brilhante é visível apenas devido à luz da estrela, já que não emite nenhuma luz visível própria. Esta é a assinatura de uma “nebulosa de reflexão” – esta é conhecida como NGC 1999 [localizada na constelação de Órion].

Fonte: Inovação Tecnológica

Leia mais sobre a intrigante constelação de Órion e seu significado especial para os adventistas do sétimo dia. Clique aqui e aqui.

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Dentes podem reescrever (de novo) a história da humanidade

Uma equipe de arqueólogos alemães descobriu um conjunto intrigante de dentes, de 9,7 milhões de anos de idade [segundo a cronologia evolucionista], num antigo leito do rio Reno, anunciou [na] semana [passada] o Museu de História Natural de Mainz, no oeste da Alemanha. Os dentes não parecem pertencer a nenhuma espécie descoberta na Europa ou na Ásia. Eles se assemelham mais àqueles pertencentes aos esqueletos hominoides de Lucy (Australopithecus afarensis) e Ardi (Ardipithecus ramidus) – descobertos em escavações na Etiópia. No entanto, os dentes encontrados no vilarejo de Eppelsheim, a 40 quilômetros ao sul de Mainz, são pelo menos 4 milhões de anos [sic] mais velhos que os esqueletos africanos. De tão intrigados, os cientistas adiaram a publicação da descoberta por praticamente um ano [se favorecesse claramente o evolucionismo e omainstream naturalista, seria publicado imediatamente, como já aconteceu muitas vezes]. Uma equipe especializada realizará testes adicionais nos dentes.

“Eles claramente são dentes de primatas”, afirmou o chefe da equipe de arqueólogos, Herbert Lutz, ao diário local Merkurist. “Suas características se assemelham a achados africanos que são de 4 milhões a 5 milhões de anos mais novos que os fósseis escavados em Eppelsheim. Isso é uma tremenda sorte, mas também um grande mistério.”

Na coletiva de imprensa na qual foi anunciada a descoberta, o prefeito de Mainz, Michael Ebling, disse que o achado forçará cientistas a reconsiderar a história dos primórdios da humanidade. “Não quero dramatizar demais, mas gostaria de lançar a hipótese de que depois de hoje devemos começar a reescrever a história da humanidade”, disse.

O arqueólogo alemão Axel von Berg afirmou a meios de comunicação ter certeza de que as descobertas receberiam muita atenção. “Isso irá impressionar especialistas”, garantiu Berg ao jornal local Allgemeine Zeitung.

Os dentes ainda estão sendo examinados em detalhe, mas a partir do fim de outubro eles serão exibidos na exposição vorZEITEN, organizada pelo estado alemão da Renânia-Palatinado. Em seguida, segundo o diário alemão Die Welt, os dentes seguirão para o Museu de História Natural de Mainz.

Fonte: G1 Notícias

Nota do blog Cricionismo: Essa história está sempre sendo reescrita, apesar de a versão anterior – propagada em livros, revistas, documentários, filmes, materiais didáticos e salas de aula – ser sempre apresentada como fato. [MB]

Veja também:

 

Precisamos nos levantar contra a hegemonia evolucionista nas escolas, diz Rodrigo Silva

"Precisamos lutar contra a hegemonia evolucionista"
A predominância do ensino do evolucionismo nas escolas e universidades é sustentada, em grande parte, pelo orgulho acadêmico. Essa é a opinião do Dr. Rodrigo Silva, atualmente o mais conhecido arqueólogo brasileiro, cujos títulos e diplomas não são menos numerosos do que os países que já visitou, muitos deles em escavações arqueológicas.

“Hoje existe um orgulho muito grande da academia, as pessoas se perguntam o que eu vou fazer com meu doutorado, meu título de PHD. Então isso tudo é querer mexer numa estrutura solidificada. Então hoje o que nós precisamos são de pessoas que tenham a coragem de Lutero, Martin Luther King para se levantar contra a massificação”, analisa Silva.

O debate sobre o ensino do criacionismo e evolucionismo nas escolas volta e meia vem à tona, acirrando discursos inflamados principalmente nas redes sociais. Em 2014, um projeto do deputado federal Marco Feliciano previa a inclusão de conteúdos sobre criacionismo nas redes privada e pública de ensino. O argumento era de que as crianças estariam ficando confusas com o conteúdo evolucionista nas escolas e o conceito criacionista sendo passado nas igrejas e em suas próprias casas. Outro ponto levantado seria garantir a liberdade de crença, com o ensino das duas teorias explicando a origem da vida e do universo. A tramitação do projeto se encontra paralisada.

Recentemente o Conselho de Educação do estado do Texas nos EUA pediu alterações no currículo da disciplina de biologia para que fenômenos científicos não totalmente esclarecidos sobre a teoria de Darwin não fossem obrigatoriamente passados aos os estudantes, já que não existia consenso a respeito tais ‘dados científicos’.

Segundo Rodrigo Silva, a teoria evolucionista, que se apresenta harmônica e homogênea, na verdade é uma colcha de retalhos e objeto de grandes embates em seu próprio interior. “Na verdade, existem duas teorias evolucionistas: aquela que circula na academia e a outra que é conhecida do grande público. A da academia é uma briga interna que não tem fim. De fora, vemos só o que tem em comum: são evolucionistas”, esclarece.

Ele dá o exemplo do fóssil Luzia, encontrado em Lagoa Santa, Minas Gerais e considerado o mais antigo das Américas. Segundo o estudioso, o achado arqueológico já teve inúmeras propostas de datações como 25 mil anos atrás, 250 mil anos, e outras ainda mais disparatadas. “Eles não chegam a um consenso nem sobre a época que o ser humano chegou nas Américas, se foram 35 mil anos, 100 mil anos ou 50 mil anos. Essa cronologia pode parecer bobagem, mas dentro da teoria evolucionista ela é fundamental. Porque se você não se acerta com a cronologia você não pode colocar ali os cabides”, diz, sobre a datação que mostra o suposto aparecimento de cada espécie e de seus ancestrais.

Alguma descobertas que antes eram tidas como verdades absolutas, como a ideia que o ser humano começou com o Australopithecus e que veio da África a partir do ancestral Lucy, já caíram por terra parcialmente. Outra correntes hoje afirmam categoricamente que não foi da África que o ser humano veio, o que colabora e acrescenta mais fervura à acirrada discussão do seio do evolucionismo.

“Existe muito espaço para dúvidas”, pontua Silva. “Essa teoria da evolução das espécies que os livros didáticos mostram ou que a mídia e documentários apresentam é uma. Mas quando você analisa o embate interno, você vê que é uma briga muito grande. Então o evolucionismo tem uma fachada, mas existe outra realidade interna que é bem diferente”, conclui.

* A partir de hoje, o Gospel Prime publicará periodicamente uma série de matérias realizadas a partir da entrevista concedida pelo Dr. Rodrigo Silva no Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp).

Fonte: Gospel Prime

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Lipídios preservados em fóssil de "48 milhões de anos"

Fóssil de um pássaro com idade
estimada em 48 milhões de anos.
O destaque mostra a glândula
uropigial.
Crédito: Sven Traenkner/Senckenberg
Os pássaros gastam um bom tempo alisando sua plumagem com o bico. Durante esse processo, a glândula uropigial, localizada próximo à região da cauda, desempenha um papel importante. Essa glândula produz uma secreção oleosa que os pássaros espalham sobre sua plumagem para impermeabilizá-la.

Pesquisadores identificaram resídos desse tipo de material óleoso em um fóssil datado em 48 milhões de anos. "A descoberta é um dos exemplos mais surpreendentes de preservação de partes moles em animais. É extremamente raro que alguma coisa assim seja preservada por um período de tempo tão longo", disse Gerald Mayr, um dos autores do trabalho.

"Como mostram nossas análises químicas detalhadas, os lipídios mantiveram sua composição química original, ao menos em parte, ao longo de 48 milhões de anos. Os compostos com cadeias hidrocarbônicas longas dos restos fóssilizados da glândula uropigial podem ser claramente diferenciados do xisto betuminoso ao redor do fóssil, " explica Mayr.

É interessante notar como a preservação de compostos orgânicos em fósseis de supostos milhões de anos têm surpreendido um bom número de pesquisadores (veja aqui, aqui e aqui). Quanto mais se escava, mais exemplos desse tipo aparecem. Há duas alternativas aqui. A primeira é que esse material realmente foi preservado ao longo de 48 milhões de anos (se você acha isso fácil, dê uma olhada nos prazos de validade de alguns produtos de mercado). A segunda é que o material não possui 48 milhões de anos. Me pergunto por que essa última possibilidade não seja sequer cogitada.

(Rodrigo M. Pontes)

Referências:

1. Shane O'Reilly, Roger Summons, Gerald Mayr, Jakob Vinther. Preservation of uropygial gland lipids in a 48-million-year-old bird. Proceedings of the Royal Society B: Biological Sciences, 2017; 284 (1865): 20171050 DOI: 10.1098/rspb.2017.1050.

2. ANCIENT PREEN OIL: RESEARCHERS DISCOVER 48-MILLION-YEAR-OLD LIPIDS IN A FOSSIL BIRD.

Lido em: Origem e Vida

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Prof. Dr. Ricardo Felício desfaz mito do "Aquecimento Global"

9 anos do nosso blog "Criacionista pela Fé e Pela Razão"


Hoje, 10 de outubro de 2017, comemoramos 9 anos de existência do nosso blog "Criacionista pela Fé e pela Razão", ou "Criacionista Consciente", como queira. Agradeço a cada um que acompanha o blog e tem paciência quando estou sem tempo pra postar aqui nossos materiais relacionados à controvérsia criacionismo X evolucionismo e temas afins ao cristianismo. Começamos em 10 de outubro de 2008, ainda quando eu estava na faculdade de Geografia da UEM, onde senti a necessidade de fazer estudos além dos da faculdade sobre as origens da Terra, da vida e do Universo, pois só via "uma lado do moeda" na faculdade (o evolucionista). Nesses 9 anos, venho cada dia mais tendo certeza de que o criacionismo bíblico é a verdade, pois emana do Criador dos Céus e da Terra, Jesus, que deu Sua vida para nos resgatar da queda no pecado, se tornando também nosso Salvador. Além de ser o Deus que se manifesta por meio de Sua criação, conforme venho postando aqui evidências. Seja sempre bem vindo(a) ao nosso blog! André Luiz Marques, editor.

Católicos e Luteranos assinam declaração conjunta de reconciliação


LUND, Suécia — Os líderes das igrejas Católica e Luterana assinaram nesta segunda-feira uma declaração conjunta durante um ato ecumênico que dá início às comemorações dos 500 anos da cisma que dividiu o cristianismo no Ocidente. O documento, considerado histórico, destaca que o que une as duas religiões é maior do que o que as divide. O Papa Francisco aproveitou a oportunidade para reconhecer aspectos positivos da Reforma liderada por Martinho Lutero, num gesto de reconciliação.

“Por meio do diálogo e do testemunho compartilhado nós não somos mais estranhos distantes. Pelo contrário, nós aprendemos que o que nos une é maior do que o que nos divide”, diz a declaração. “Enquanto estamos profundamente agradecidos pelos dons espirituais e teológicos que recebemos pela Reforma, nós também confessamos e lamentamos perante Cristo que Luteranos e Católicos feriram a unidade visível da Igreja. As diferenças teológicas foram acompanhadas por preconceitos e conflitos, e a religião foi instrumentalizada para fins políticos”.

Esta é a primeira viagem de um Papa para a Suécia em quase três décadas. Francisco participou de uma missa conjunta na Catedral Luterana de Lund, que foi confiscada dos católicos no século XVI. Em 31 de outubro de 1517, o monge católico alemão Martinho Lutero pregou suas “95 teses” na porta de uma igreja em Wittenberg, no sul de Berlim, com críticas à Igreja Católica pela corrupção de Roma, incluindo a venda de privilégios eclesiais e indulgências, nepotismo e usura.

Lutero e seus seguidores foram excomungados, o que provocou a cisma no cristianismo no Ocidente. A disputa entre católicos e protestantes gerou batalhas em diversos países europeus, incluindo a Guerra dos 30 Anos, que provocou cerca de 8 milhões de mortes.

— Devemos olhar nosso passado com amor e honestidade e reconhecer nossa culpa e pedir perdão — disse o Papa, em homilia.

Durante a cerimônia, o cardeal católico suíço Kurt Koch recordou “os fracassos” dos católicos e luteranos que “provocaram a morte de centenas de milhares de pessoas”.

— Lamentamos o dano causado mutuamente por católicos e luteranos — acrescentou.

A Igreja Católica também homenageou a contribuição de Lutero:

— Com gratidão, reconhecemos que a Reforma contribuiu para dar um papel central à santa escritura na vida da Igreja — declarou Francisco. — Não podemos nos resignar à divisão e ao afastamento que a separação provocou entre nós. Temos a ocasião de reparar um momento crucial de nossa história, superando as polêmicas e mal entendidos que impediram o entendimento entre nós.

DIÁLOGO DIFÍCIL

Em um longo sermão, o pastor Martin Junge, secretário-geral da Federação Luterana Mundial, que organiza o evento, também considerou que este "momento histórico" é uma oportunidade para que católicos e luteranos "se distanciem de um passado marcado pelo conflito e a divisão".

— Nós nos damos conta de que aquilo que nos une supera com folga o que nos divide. Somos brotos da mesma videira — reforçou, lamentando a fragmentação dos cristãos.

Ainda assim, mesmo com a declaração conjunta assinada pelo papa e pelo presidente da Federação Luterana Mundial, o bispo palestino Munib Yunan, persistem desacordos doutrinários: a simbologia muito diferente em torno da eucaristia.

Mais tarde, foi celebrado um encontro ecumênico em um estádio de Malmö, cuja renda será destinada a refugiados sírios.

A organização humanitária católica Caritas e sua equivalente luterana, o Serviço Mundial da Federação Luterana Mundial, assinaram uma declaração conjunta com a finalidade de desenvolver sua cooperação, sobretudo para ajudar os migrantes.

Os organizadores deram a palavra a sobreviventes de países em guerra, como Burundi e Sudão do Sul. O bispo caldeu de Aleppo, na Síria, Antoine Audo, deu um dos testemunhos mais impactantes. "A maioria dos hospitais foi destruída e 80% dos médicos abandonaram Aleppo. Na Síria, três milhões de crianças não vão à escola", disse, alertando para o iminente desaparecimento da comunidade cristã naquele país.

Da Suécia, uma terra de asilo para muitas pessoas, o papa agradeceu a "todos os governos que dão assistência aos refugiados, aos deslocados e a quem pede asilo", "um grande gesto de solidariedade e reconhecimento de sua dignidade".

Fonte: O Globo

Nota: "O que nos une é maior do que o que nos divide", "Acabou o protesto", disseram eles. Bom, acabou foi é a fidelidade a Deus. A Igreja Católica não concorda com nenhuma das 95 teses de Martinho Lutero (fora outras doutrinas como a guarda do sábado e o ministério de Jeses no Santuário Celestial etc.). Como assim o protesto teria acabado? Na verdade, isso é cumprimento profético, o ecumenismo em detrimento às verdades bíblicas, e perseguição a quem sustentar a verdade da Palavra de Deus, os que guardarem os mandamentos de Deus e o testemunho de Jesus. Quem viver verá. [ALM]

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Esculpido pela água: Terra Viva

Geógrafos de uma nova Terra (que nunca foi plana)

A Geografia, por excelência, é a ciência que estuda a Terra; “um saber tão antigo quanto a própria história dos homens”, afirmou certo geógrafo. E não podemos falar de geografia sem tecer comentários acerca dos gregos. Na sua fase mítica, a civilização grega concebia a Terra como uma divindade primordial chamada Geia ou Gaia: Mãe-Terra ou Grande Mãe – a deusa-matriz procriadora de todos os seres. Assim, de Geia derivou a palavra “geografia” que, etimologicamente, significa “descrição da Terra”. Os gregos deram o pontapé inicial para o nascimento e desenvolvimento do saber geográfico, sendo os pioneiros na sistematização desse saber. Nomes como Estrabão (ou Strabo), Eratóstenes, Ptolomeu e Hiparco são bastante familiares aos geógrafos. Afinal, esses homens foram as figuras mais preeminentes do período embrionário da Geografia. Suas ideias, revisadas pelo conhecimento atual, provocaram profundo impacto na maneira como o ser humano concebia o planeta. Dessa forma, não podemos desconsiderar a enorme contribuição dos gregos em relação ao pensamento geográfico. No entanto, desviemos nossa atenção da Grécia para um povo de mentalidade bastante diferente da grega, mas que também influenciou fortemente a civilização ocidental. Em relação à concepção geográfica do mundo, vamos deixar a Grécia antiga para nos concentrarmos no antigo Israel.

Israel não sobressaiu como um povo de mentalidade filosófica ou científica. Seu destaque é a religião monoteísta e sua maior contribuição, junto com o cristianismo, está na produção da Bíblia. Sendo uma peça da literatura universal, o objetivo primário da Bíblia é religioso. Entretanto, ainda que o foco dela esteja em aspectos da fé, há assuntos e princípios na Bíblia que tangenciam as ciências, produzindo muitas vezes insights na mente de quem é despertado pelas “provocações” bíblicas. Diante de tal enfoque, manteria a Bíblia alguma relação com o conhecimento geográfico? Se sim, em que sentido? Teriam as Escrituras elementos interessantes para apresentar aos geógrafos do século 21, revelando-lhes, quem sabe, uma filosofia da Geografia ousada e abarcante – algo ainda não cogitado? Sobre geografia e fé, algumas observações prévias são necessárias.

Para a mente científica ou religiosa, uma coisa é certa: da concepção geocentrista para a heliocentrista, de Ptolomeu a Copérnico, a Terra continua sendo o “centro do Universo” e da atenção da humanidade. Porém, certas pessoas céticas e antirreligiosas (e mesmo alguns cristãos fideístas), fazendo uso de uma interpretação distorcida da linguagem bíblica, defendem o argumento de que as Escrituras ensinam o conceito da Terra plana. Em pleno século 21 – época de grande avanço tanto da ciência quanto da exegese do texto bíblico –, eis o curioso fenômeno da invenção da Terra Plana! As motivações de ambos os grupos são diferentes, mas convergem para o mesmo fim: alimentar o desgastado conflito fé vs. razão/Bíblia vs. ciência. Assim, o cético se esforça para tornar a Bíblia anticientífica e obscurantista; já o cristão fideísta, embora tente defender o criacionismo, termina por apresentar uma contrafação perniciosa desse movimento, expondo ao ridículo as Escrituras e desmerecendo os esforços de criacionistas sensatos que procuram harmonizar boa ciência com boa teologia. Os “terraplanistas da fé” vão na direção contrária ao consenso universalmente reconhecido e testado: o planeta tem forma geoide. Por outro lado, os “terraplanistas da descrença” impõem sua hermenêutica deficiente à Escritura na tentativa de descaracterizá-la e promovê-la como um livro de ignorância e superstição, uma boa obra de mitologias. Se aqueles atacam a ciência, estes investem contra a teologia e o Livro Sagrado. Ambos produzem espantalhos.

Em rigor, a Bíblia e a ciência são antiterraplanistas. Textualmente, os argumentos para respaldar a Terra plana não encontram amparo no material escriturístico; constitui uma tese defendida à revelia dos fatos, ou seja, tremendo equívoco teológico e científico. Portanto, o argumento terraplanista (não importa de onde ele surja, da mente descrente ou religiosa) resulta da má aplicação de textos alegóricos ou poéticos, ou mesmo de passagens bíblicas que apontam para uma explícita linguagem fenomenológica cuja leitura dispensa explicações científicas rigorosas.

As Escrituras foram escritas para o homem comum entendê-las; sua linguagem está adaptada a todas as pessoas, cultas ou não, de todas as épocas. O ponto de equilíbrio nesse assunto é não considerar a Bíblia como um manual de ciências (seu propósito é outro); tampouco estabelecer a ciência como exegeta das Escrituras. Em suma: “A Bíblia não nos fornece uma concepção modelar ou teórica e a ciência não pode nos fornecer uma concepção de fé”, resumiu um criacionista bem informado. Nesse aspecto, lúcidos são os esclarecimentos do pensador cristão Ravi Zacharias, os quais servem de advertência e ensinamento a qualquer pessoa que busque estabelecer conflitos artificiais entre a ciência e o pensamento judaico-cristão: “Em vez de compreenderem a intenção e o contexto daqueles para quem a revelação foi dada, os naturalistas zombam da descrição bíblica dos atos de criação de Deus como uma ofensa à sofisticação científica. No outro extremo estão os teístas que tentam fazer com que o registro da criação pareça uma dissertação cosmológica e depois se debatem para defendê-la. Nenhuma porção das Escrituras jamais reivindicou ser material técnico-científico nem tentou satisfazer a mente técnica.”

A geografia na Bíblia

A Bíblia está permeada de geografia em suas páginas. De Gênesis a Apocalipse perpassa uma distinta linguagem geográfica (ora real, ora metafórica), revelando um modo diferente, e mesmo religioso, de se conceber o espaço físico e a relação deste com seus ocupantes. Existem referências a rios, mares, vales, colinas, florestas, montanhas, cavernas etc. Por todo o Livro são mencionados nomes de terras, povos, países, cidades e impérios, em conexão com a história de Israel e, posteriormente, com a da igreja cristã.

Só no livro de Gênesis encontramos rico conteúdo informacional. No âmbito da Geografia Física, lemos acerca da criação do espaço por Deus, a organização dos variados ambientes terrestres, a formação do relevo (bem diferente do atual) e o surgimento da humanidade, cuja missão era a de exercer domínio pacífico sobre o mundo, administrando-o cuidadosamente. Mais adiante, por causa da queda humana, vislumbramos as forças da natureza modificando a topografia do planeta no evento do dilúvio universal – a grande catástrofe hídrica considerada mito pelos cientistas naturalistas, mas cujas evidências ajustam-se a variados fatos da geologia. Ainda no Gênesis, no tocante à Geografia Humana, contemplamos a construção das primeiras cidades e a dispersão dos povos de uma única região para as diferentes partes da Terra, resultando no aparecimento das nações que vieram a ser o berço das civilizações antigas.

Na Bíblia encontra-se também um fato social de grande interesse para os geógrafos contemporâneos. Em nossa época, na qual a luta por terras é marcante, as Escrituras narram os conflitos de Israel pela ocupação de Canaã ou Terra Prometida, pequena região do Oriente Médio, situada estrategicamente em relação às outras nações circunvizinhas. Esse lugar, que por direito já era dos hebreus, mediante a posse legal obtida por Abraão, foi ocupado por outros povos durante o período do cativeiro de Israel no Egito. Deus, contudo, havia assegurado a devolução de Canaã aos seus antigos donos. A partir de tal promessa iniciou-se uma “luta geográfica” pela terra que “manava leite e mel”.

Mesmo quando trata de espiritualidade, a Bíblia não deixa de nos brindar com belíssimas aplicações figurativas de elementos pertencentes ao universo da Geografia. Nas suas passagens textuais, ela nos apresenta Jesus como a “Rocha dos Séculos” ou o firme fundamento, o Espírito Santo como “chuva” e “vento refrescante”; fala-nos de “rios de água viva”, do Monte Sião e do “lugar chamado Gólgota”, dos “quatro cantos da Terra”, do “mar de vidro claro como cristal”, etc. Notamos em suas páginas a confluência de dois mundos: o natural e o espiritual. Partindo da perspectiva estritamente geográfica para a transcendência, encontram-se nesse Livro assuntos empolgantes e desafiadores, os quais despertam e estimulam a reflexão do geógrafo, transportando-o além do mundo físico. Dessa maneira, percebe-se nas Escrituras o que poderíamos chamar de “metafísica da Geografia” – um modo peculiar de se pensar sobre a Terra e acerca do Universo: tudo a partir da realidade de um eterno Criador do tempo e do espaço. É nesse ponto que se encontra a contribuição hebraica ao pensamento geográfico.

Foi um profeta israelita, dos maiores na história desse povo, que declarou: “Porque assim diz o Senhor, que criou os céus, o Deus que formou a Terra, que a fez e a estabeleceu, não a criando para ser um caos, mas para ser habitada” (Isaías 45:18). Ordem, harmonia, funcionalidade, interdependência e beleza foram fatores propositais da mente divina no momento da criação. E mesmo com o aparecimento do mal na face da natureza, tais propósitos continuam vigentes, alertando o ser humano contra a ameaça do caos produzido pela sua queda no pecado. Mais: na mentalidade hebraica subjaz a noção da presença divina em todos os lugares do planeta, mesmo naqueles mais inóspitos e distantes. Que nos diga Davi, no Salmo 139:7-10: “Para onde poderia eu escapar do Teu Espírito? Para onde poderia fugir da Tua presença? Se eu subir aos céus, lá estás; se eu fizer a minha cama na sepultura, também lá estás. Se eu subir com as asas da alvorada e morar na extremidade do mar, mesmo ali a Tua mão direita me guiará e me susterá.” Para o rei-poeta, o espaço estava imbuído de sacralidade – matéria vigiada e protegida pelo Espírito –, revelando a onipresença divina, ainda que o homem não a percebesse.

Três momentos geográficos

A Terra é um planeta privilegiado por várias razões. Diminuta na imensidão cósmica, ela se destaca pelas características singulares que evidenciam, em sua origem astronômica e organização espacial, a atuação de uma poderosa Mente planejadora. Biblicamente podemos pensar a Terra em três momentos geográficos: o primeiro deles é o do passado, inaugurado com a ordenação da matéria preexistente e a consequente organização da vida terrestre, conforme relata o livro de Gênesis. Ali é dito que tudo Deus fez muito bom. Paisagens exuberantes e cenários encantadores faziam do nosso planeta um paraíso. A autora cristã Ellen White, pensando na Criação, comentou:

“Quando a Terra saiu das mãos de seu Criador, era extraordinariamente bela. Variada era a sua superfície, contendo montanhas, colinas e planícies, entrecortadas por majestosos rios e formosos lagos; as colinas e montanhas, entretanto, não eram abruptas e escabrosas, tendo em grande quantidade tremendos despenhadeiros e medonhos abismos como hoje elas são; as arestas agudas e ásperas do pétreo arcabouço da terra estavam sepultadas por sob o solo fértil, que por toda parte produzia um pujante crescimento de vegetação. Não havia asquerosos pântanos nem áridos desertos. Graciosos arbustos e delicadas flores saudavam a vista aonde quer que esta se volvesse. As elevações estavam coroadas de árvores mais majestosas do que qualquer que hoje exista. O ar, incontaminado por miasmas perniciosos, era puro e saudável. A paisagem toda sobrepujava em beleza os terrenos ornamentados do mais soberbo palácio.”

Hoje nem tudo são flores. Na perspectiva do conhecido filósofo alemão Leibniz, a Terra é “o melhor dos mundos possíveis”. Voltaire zombou dessa afirmação otimista, contra-argumentando com a obra literária Cândido, na qual exacerba as desgraças, catástrofes e sofrimento do planeta criado por um Deus de amor. Tanto a teodiceia de Leibniz quanto o ceticismo de Voltaire parecem não considerar o seguinte: com a separação da humanidade de Deus, infelizmente instalou-se o segundo momento geográfico, vigente até agora (Gênesis 3). O paraíso terrestre se transformou numa terra hostil, marcada pela luta contra as forças destrutivas da natureza. Na era presente, “toda a criação geme e está juntamente com dores de parto até agora” (Romanos 8:22). O profeta Isaías nos dá um vislumbre dessa instância: “A terra pranteia e se murcha; o mundo enfraquece e se murcha” (Isaías 24:4). Sob tal contingência, em circunstâncias de enfraquecimento do planeta, os geógrafos estudam e trabalham.

A Geografia atual, em suas várias vertentes, lida com problemáticas ameaçadoras, entre as quais as explosões demográficas, a injusta distribuição da riqueza, fome, crises ambientais com a descaracterização de paisagens naturais e a extinção de espécies. Este é o momento crítico dos geógrafos, a luta para preservar um mundo combalido, tentando torná-lo o melhor dos mundos possíveis, já que o “admirável mundo novo” é utopia – objetivo inatingível pelas mãos humanas.

Contudo, existem boas notícias! Elas estão no terceiro momento geográfico: visão da geografia do futuro, antecipada somente na Bíblia. Se a Geografia é a “descrição da Terra”, apresenta-se um desafio à imaginação do geógrafo, convidando-o a ultrapassar o horizonte presente para visualizar o quadro de “um novo céu e uma nova Terra”.

Lemos em Apocalipse 21:1: “Então vi um novo céu e uma nova terra, pois já o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe.” Em 2 Pedro 3:13, é delineada a expectativa cristã do cumprimento dessa inacreditável realidade: “Mas nós, segundo a Sua [de Deus] promessa, aguardamos novos céus e nova terra, nos quais habita a justiça.” Aqui temos a “promessa geográfica”, feita por Deus, de modificação radical da face do mundo no qual habitamos. O Seu propósito iniciado lá na criação, de um planeta perfeito, será retomado finalmente quando todas as coisas forem restauradas.

Na reinauguração da Terra descrita em Apocalipse, o estudante da “nova Geografia” ficará extasiado perante um relevo totalmente diverso do que ele vê atualmente, sendo também harmoniosa a relação homem-natureza. A vida urbana será vivida numa cidade espetacular chamada “Nova Jerusalém”, lugar sem os temores e a violência das modernas cidades de nosso mundo. As principais direções geográficas (Norte, Sul, Leste, Oeste) estarão sinalizadas por portas sempre abertas, significando o livre acesso de todos a essa capital universal. Seres humanos renovados adentrarão os portais da cidade eterna, onde os valores supremos, fundamentados no amor absoluto de Deus, perdurarão para todo o sempre. A Nova Jerusalém constituirá local de incomparável esplendor, a metrópole do Universo. Isso não é uma ficção geográfica, mas uma certeza prometida. Apocalipse 21:5 confirma: “E o que estava assentado sobre o trono disse: Eis que faço novas todas as coisas. E disse-me: Escreve; porque estas palavras são verdadeiras e fiéis.”

A Terra, nosso endereço no Universo, é uma “joia da engenharia tão complexa que é capaz de suportar com graça e destreza as consequências do mais sangrento passado”. Os geógrafos lidam hoje com uma Terra açoitada por catástrofes, vitimada por graves problemas ecológicos, sociais e urbanos. Vive-se um período de crises de ordem planetária. Todavia, o pensamento geográfico pautado na Bíblia alimenta-se da esperança: transcende a triste realidade dominante e projeta-se para o glorioso futuro, indo na direção daquele terceiro momento quando novas se farão todas as coisas. Nessa modificação imposta por mãos sobrenaturais, virá o melhor de tudo: Deus morará com a humanidade. Consequentemente, todos os espaços serão preenchidos com Sua presença santificadora. Fora ou dentro de cada ser, não haverá regiões tristes, medonhas, perigosas, poluídas, pois como diz Isaías, o profeta já mencionado por nós, “a Terra se encherá do conhecimento do Senhor, como as águas cobrem o mar” (Isaías 11:9). O espaço terrestre e o espaço dentro das criaturas encontrar-se-ão em Deus. Só aí, então, teremos o melhor dos mundos possíveis.

Quem não gostaria de estar num lugar assim, estudando e vivendo sob tal realidade? Quem não almejaria ser geógrafo de uma nova Terra?

(Frank de Souza Mangabeira, membro da Igreja Adventista do Bairro Siqueira Campos, Aracaju, SE; servidor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Sergipe)

Lido em: Criacionismo

O santuário de Shiló - Evidências

domingo, 3 de setembro de 2017

Arqueologia em Israel (2)

Arqueologia em Israel (1)

Um Deus exibido e exagerado - Dr. Marcos Éberlin

Água - Essência da vida: Terra Viva

Francisco e o domingo

Declaração do papa sobre o resgate do descanso dominical desperta reflexões

“Talvez seja a hora de nos perguntarmos se trabalhar aos domingos é uma liberdade verdadeira” – afirmou o papa Francisco recentemente, numa visita a Molise, no sul da Itália. O que rende apenas uma nota num jornal secular não passa despercebido em nosso radar profético. Para aqueles que vigiam na madrugada da história, qualquer afirmação mais assertiva de Roma é digna de atenção. De fato, a declaração do papa não se trata apenas de uma frase solta no ar, de um anseio ou uma opinião pessoal, mas de uma posição institucional em favor do restabelecimento de uma instituição essencialmente romana, o domingo.

A declaração é emblemática, pois fala sobre o momento atual, sobre um dia de descanso e sobre liberdade, conceitos de enorme peso no panorama escatológico, conforme entendemos. Logicamente, o papa não tinha as profecias em vista ao fazer sua declaração, mas a lógica por trás de sua fala não deixa de ter implicações profundas para o bom entendedor.

Leia também:

O Papado e a questão do domingo

Discursos papais

Em sua encíclica Laudato Si (“Louvado Seja”), na qual trata do cuidado do planeta, ele menciona a importância de participar na eucaristia aos domingos: “A participação na Eucaristia é especialmente importante ao domingo. Este dia, à semelhança do sábado judaico, é-nos oferecido como dia de cura das relações do ser humano com Deus, consigo mesmo, com os outros e com o mundo. O domingo é o dia da Ressurreição, o ‘primeiro dia’ da nova criação, que tem as suas primícias na humanidade ressuscitada do Senhor, garantia da transfiguração final de toda a realidade criada” (itálicos acrescentados).

Percebe-se que, da mesma forma que enraíza a identidade do domingo no sábado bíblico, Francisco o distingue dele, restringindo-o aos limites do judaísmo. Sem dúvida, o sábado tem uma forte e respeitável identidade judaica, mas deve-se lembrar que é anterior ao povo judeu, de acordo com as Escrituras, uma dádiva concedida a toda a humanidade (Gênesis 2:1-3). O mandamento do sábado não foi uma inovação do Sinai ou dos dez mandamentos, mas um “lembra-te” que remete às origens. Na argumentação do pontífice romano, o chamado sábado cristão (o domingo), tanto no meio católico como no protestante, reveste-se de todas as prerrogativas do sábado bíblico. Transforma-se numa das maiores respostas para a crise ecológica, assim como de todas as outras (a palavra “crise” é utilizada 30 vezes ao longo da encíclica).

Na encíclica, Francisco completa o raciocínio argumentando que “a lei do repouso semanal impunha abster-se do trabalho no sétimo dia, ‘para que descansem o teu boi e o teu jumento e tomem fôlego o filho da tua serva e o estrangeiro residente’ (Êxodo 23, 12). O repouso é uma ampliação do olhar, que permite voltar a reconhecer os direitos dos outros. Assim o dia de descanso, cujo centro é a Eucaristia, difunde a sua luz sobre a semana inteira e encoraja-nos a assumir o cuidado da natureza e dos pobres”. A linguagem suave em torno do restabelecimento do domingo como bálsamo para as feridas da humanidade e do planeta traria consigo um ímpeto ainda maior à causa do domingo assim como à influência global da Igreja Católica. Sua linguagem não expressa o apelo de um líder religioso, mas a voz de um estadista global cheio da autoridade de uma igreja que sabe aonde quer chegar.

A voz de Francisco faz avançar o aggiornamento (“atualização”) proposto desde o Concílio Vaticano II, nos anos 1960, para tornar o catolicismo mais relevante na sociedade. Desde então, as encíclicas, assim como todos os esforços e a comunicação da igreja romana, não apresentam mais suas crenças pela força do dogma, ou da autoridade eclesiástica em si. Procura-se apresentá-las, agregando elementos bíblicos, filosóficos, antropológicos, científicos e ecumênicos, entre outros, para a defesa dos pontos de vista romanos. Quanto ao domingo, sem dúvida, a maior referência é a encíclica Dies Domini (“Dia do Senhor”, de 1998), assinada pelo papa João Paulo II, com a participação de Joseph Ratzinger, seu futuro sucessor (confira aqui uma resenha que preparei anos atrás sobre a encíclica).

No ano de 2000, João Paulo II afirmou: “A ‘pequena semente’ que João XXIII lançou […] cresceu e deu vida a uma árvore que já alarga os seus ramos majestosos e frondosos na Vinha do Senhor. Ele já deu numerosos frutos nestes 35 anos de vida e ainda dará muitos outros nos anos vindouros. Uma nova estação abre-se diante dos nossos olhos […] O Concílio Ecuménico Vaticano II constitui uma verdadeira profecia para a vida da Igreja; e continuará a sê-lo por muitos anos do terceiro milénio há pouco iniciado. A Igreja, enriquecida com as verdades eternas que lhe foram confiadas, ainda falará ao mundo, anunciando que Jesus Cristo é o único verdadeiro Salvador do mundo: ontem, hoje e sempre!” (itálicos acrescentados). Como uma organização milenar, Roma não faz planos para o ano que vem, mas para décadas e eras. Está em seus planos a vinda de uma “nova estação”, na qual “falará ao mundo”.

Veja um vídeo que trata dessa controvérsia entre sábado e domingo:

Debate Rico e Lázaro (Leandro Quadros e Pr. Tiago Abdalla)

sábado, 19 de agosto de 2017

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Conceitos de direita e esquerda estão em desarmonia com a cosmovisão bíblica

Compreensão da Bíblia requer estudo aprofundado sobre temas apresentados por ela (Foto: Shutterstock)
Brasília, DF… [ASN] Em maio deste ano, a Agência Adventista Sul-Americana de Notícias (ASN) publicou uma primeira entrevista com o sociólogo Thadeu de Jesus e Silva Filho a respeito de conceitos de esquerda e direita (leia aqui). A segunda parte, em que o especialista aborda conceitos como marxismo cultural e outras ideologias filosóficas, bem como teorias que têm caracterizado a discussão política mundial, pode ser lida a seguir. Thadeu é mestre e doutor em Sociologia e atual diretor do departamento de Arquivo, Estatística e Pesquisa da sede sul-americana adventista, sediada em Brasília.

O que é o marxismo cultural, em linhas gerais?

Marxismo cultural é uma estratégia de poder que tenta acabar com os valores judaico-cristãos em sociedades neles fundamentadas. É realizada por meio de ocupação de cargos e de espaços de influência, tendo como fundamentos a filosofia de Karl Marx, a ideia de intelectual orgânico de Antonio Gramsci, a Teoria Crítica (Escola de Frankfurt), ideologias linguísticas e o seu caráter transgeracional.

Marx diz que, nos estágios evolutivos da humanidade, o capitalismo alienou (separou) o ser humano de si mesmo, do seu trabalho, da natureza e dos outros. A fim de emancipar o homem dessa alienação, os proletários teriam de tomar o poder das mãos da burguesia por meio de uma revolução armada e estabelecer uma sociedade igualitária, na qual as pessoas caçariam de manhã, pescariam à tarde, pastoreariam à noite e filosofariam depois de comer. Essa tomada do poder usando armas para fundar uma sociedade sem classes governada pelo proletariado seria o auge da evolução da humanidade.

O segundo pilar do marxismo cultural é o intelectual orgânico, de Antonio Gramsci – filósofo marxista e jornalista, um dos fundadores do Partido Comunista da Itália e que veio a ser seu secretário-geral em algum momento. Foi preso em 1926 e condenado a mais de 20 anos de prisão, mas colocado em liberdade condicional em 1936 (ano anterior à sua morte) por causa do mau estado da sua saúde.

Na cadeia, escreveu cerca de três mil páginas que, organizadas postumamente em seis volumes, foram publicadas sob o título de Cadernos do Cárcere. Em um deles, Os Intelectuais e a Organização da Cultura, chama atenção para a importância do intelectual no desenvolvimento das ideias que governam a relação entre as pessoas, indicando dois tipos: o tradicional (que se vê como autônomo em relação às classes e alheio às suas lutas) e o orgânico (representante de uma classe social e também responsável por dar formas e rumo à sociedade). E aí reside o segundo fundamento do marxismo cultural: Gramsci concordava com Marx sobre tomar o poder através de revolução, mas dizia que ela deveria acontecer pela introjeção de conteúdos revolucionários na mente da população através dos intelectuais orgânicos, não pelas armas. Seria uma revolução do conhecimento e dos valores – o que é conhecido como revolução cultural.

Assim, uma das tarefas dos revolucionários para ter o poder de uma sociedade e nele se perpetuar é criar um intelectual para propagar seus interesses durante o exercício natural e cotidiano da sua profissão. Nesse sentido, membros de partidos políticos, professores, artistas, jornalistas e veículos de comunicação atuam como intelectuais orgânicos encarregados de realfabetizar as mentes com conteúdo revolucionário nas esferas política, religiosa, jurídica, econômica, científica e artística, a ponto de as pessoas passarem a pensar como marxistas sem necessariamente saberem disso, tomando o marxismo como conhecimento natural e esperado.

O terceiro pilar vem da Escola de Frankfurt. Originalmente chamado de Instituto para o Marxismo, foi um grupo de intelectuais que transpôs para o campo cultural o marxismo já presente nas esferas econômica e política, por meio da mescla da teoria de Marx com a de Freud. Essa ação ampliou enormemente o número de pessoas alcançadas pelas suas discussões e, consequentemente, pelas obras produzidas.

Uma delas é o estudo que originou o livro The Authoritarian Personality, liderado por Theodor Adorno, quando morava nos Estados Unidos. Na obra, concluiu que a cultura ocidental é doente do mal da “personalidade autoritária”; que os cidadãos ocidentais são indivíduos potencialmente fascistas e cruéis, como os executores do Holocausto; que o país que o recebeu é tão mau como o regime que o expulsou, e que, portanto, indivíduo, cultura e sociedade ocidentais precisam ser vistos como pacientes de um grande manicômio, cujo tratamento começaria com a crítica cabal às criações e valores do Ocidente.

O quarto fundamento do marxismo cultural é um conjunto de métodos e técnicas oriundo de ideologias linguísticas que visam a mudança do sentido das palavras. Um deles é o desconstrucionismo, de Jacques Derrida, que assevera que conhecimento e cultura devem passar por reinterpretação e ressignificação até se concluir que não há fatos, somente interpretações. Outro é o sócio-construtivismo, de Vigotski, doutrina pedagógica que sustenta que o conhecimento é produzido coletivamente e de acordo com o tempo, o lugar e as relações políticas presentes, isto é, que se tivesse sido criado em outro lugar, por outras pessoas e mediante outras circunstâncias de poder, o conhecimento resultante seria outro.

Outro, ainda, é o movimento da Virada Linguística (Linguistic Turn), cuja tese é de que a realidade social não é nada mais do que uma narrativa criada pelo discurso e que a História é um gênero literário, sem pretensão de expressar a verdade, incapaz de comprovar a veracidade dos fatos. Mais recentemente, o “politicamente correto” engrossou a lista de ideologias que sustentam a operacionalização do marxismo cultural, ao cercear o uso de certas palavras e expressões, querendo determinar com uma força semelhante à da lei o que pode e o que não pode ser dito.

O último fundamento do marxismo cultural é o seu caráter transgeracional. Diferentemente das revoluções – que ocorrem em intervalo de tempo relativamente curto –, sua implementação acontece em longo prazo de doutrinação, avançando pela naturalização dos conteúdos relativistas e revolucionários, tornando-se cada vez mais capilar, abrangente e imperceptível com o passar dos anos.

É possível dizer que o marxismo cultural é incompatível com a cosmovisão bíblica? Por quê?

Sim. Em primeiro lugar, por serem de naturezas divergentes. O marxismo cultural quer coisas deste mundo, enquanto a cosmovisão bíblica mostra que o sentido é a vida eterna (ainda que seus Mandamentos se dirijam para o homem que vive neste mundo e é afetado pelas coisas daqui).

As demais razões derivam dela. Para o marxismo cultural, o mundo pode ser mudado. Já que os problemas foram causados pelas estruturas injustas da sociedade, seu propósito é eliminar as desigualdades sociais. Os inimigos devem ser aniquilados e seu principal instrumento de ação é a doutrinação cultural. Para a cosmovisão bíblica, quem pode ser transformado é o ser humano, não o mundo; a causa do problema é o pecado. O objetivo da ação de Deus é resgatar Sua imagem nos Seus filhos e convidá-los para o encontro com Ele na Sua segunda vinda; os inimigos devem ser amados e os meios de existência são a comunhão pessoal com Deus, o ensino e o cuidado com o outro e a pregação do Evangelho. Divergem, portanto, do núcleo às derivações.

Há, ainda, uma outra razão para a incompatibilidade. Isso fica claro quando tratam de temas de interesse para ambos, como configuração da família e identidade sexual. Para o marxismo cultural, regras e definições da Bíblia são somente convenções socialmente construídas que precisam ser extirpadas porque são religião, ópio do povo, falsa consciência, instrumento de dominação dos oprimidos. Na cosmovisão bíblica, a Palavra de Deus é autoridade normativa, de modo que o que é questão de fidelidade para o cristão é entrave para o indivíduo de mentalidade revolucionária.

Para Filho, conceitos de direita e esquerda devem ser bem compreendidos, principalmente pelos cristãos.

Mas questões como identidade de gênero, respeito aos direitos de liberdade de crença, orientação sexual, etc., não são importantes para quem se afirma como cristão e defende um mundo mais justo?

Sim, mas no sentido dado pela Bíblia, não porque ideologias dizem que é preciso agir dessa maneira. Somos irmãos, o amor e a misericórdia de Deus são direcionados a todos indistintamente. Devemos nos tratar como Cristo tratou as pessoas enquanto viveu aqui. Questões como identidade sexual e liberdade de crença são importantes para os cristãos por saberem que toda e qualquer pessoa no mundo pode viver como bem entender, inclusive em total oposição a Deus e ao padrão bíblico se assim preferir, desde que não ameace o ir e vir dos demais.

A batalha do cristão é ver Cristo no outro, é olhar para a vida e para as pessoas com a mente de Cristo, é pensar naquilo que diz Filipenses 4:8. Trata-se de ação direcionada ao indivíduo, reconhecidamente em forma de socorro diante de desamparo, fome, doença e calamidades, e de dedicação de tempo para ouvir e aliviar fardos. Neste sentido, é preciso entender que o foco da Bíblia é transformar o caráter do indivíduo.

E as ideologias de direita? São mais compatíveis com a cosmovisão bíblica?

Também não. Se a fragilidade das esquerdas consiste em afirmar que os problemas são causados por algo fora do ser humano (as estruturas injustas da sociedade), e que a eliminação de tais estruturas injustas faria desaparecer tais problemas, a da direita é construir seu edifício sobre algo dentro do homem, a saber, o egoísmo natural – entendido como algo virtuoso e a fonte das realizações.

É esse núcleo o que dá base a seus ideais econômicos, políticos, jurídicos, científicos, artísticos, de sociedade, nação, Estado e governo. Partem do princípio de que características egoístas, a ambição natural de acumular, o desejo inato de poder e a imagem de si como alguém mais importante do que o outro são as virtudes e os atributos que geram os melhores sistemas de organização. Todas as demais construções derivam disso. No que isso é compatível com a cosmovisão bíblica?

Há vertentes teóricas que advogam que as ideologias de direita são a transcrição política do cristianismo ou as que mais se aproximam dele por defenderem valores como a família, por exemplo. Isso me parece ser um erro conceitual (pelo fato de estas serem marcas do conservadorismo, não da direita). Uma observação rápida permite ver que os temas das ideologias de direita derivam de algo perfeitamente contrário aos ensinos de Cristo (de egoísmo, não de altruísmo).

Além disso, casos concretos e linhas teóricas mostram que não é pertinente associar direita ao cristianismo – como é o caso do populismo de direita na Europa (cuja bandeira é o nacionalismo e o impedimento à imigração) e do pensamento de Ayn Rand (pensadora ateia, que defende que o ser humano deve planejar sua vida para amar e satisfazer somente a si e guiá-la de acordo com sua vontade e razão, longe de qualquer determinação vinda de Deus). Ainda que alguns cristãos se aproximem da direita, a adesão deles a ela não a torna um estandarte do cristianismo.

Mesmo não sendo sinônimo de cristianismo, não tendo a mesma natureza nem seu fundamento, a direita conta, de fato, com uma ala cristã – vista claramente nos Estados Unidos. Em dois aspectos, essa ala cristã da direita se assemelha às ideologias de esquerda de modo nítido: entende que o mundo pode e deve ser mudado e faz dessa mudança seu símbolo identitário. Se, por um lado, a mudança proposta pelas ideologias de esquerda é acabar com as estruturas injustas da sociedade, por outro, a da ala cristã da direita é instalar o reino de Deus neste mundo, como se isso fosse possível e como se esta fosse a tarefa para a qual Deus tivesse chamado as pessoas a realizarem.

O cristão precisa escolher uma ideologia política ou filosófica para viver?

Poucas questões políticas são verdadeiramente espirituais. A liberdade religiosa é uma delas. Possivelmente, a de maior relevância. Não à toa, é também a mais recorrente na história. A Bíblia mostra casos de violência e de perseguição gerados simplesmente contra a liberdade que as pessoas têm de adorar a Deus. Tais foram os casos dos três amigos de Daniel que, por questão de consciência, não se curvaram perante a estátua do rei da Babilônia e foram condenados à fornalha quente; de Daniel, que, também por questão de consciência, orava a Deus três vezes por dia em sua casa durante decreto estatal de veto à oração e que, por isso, foi lançado à cova dos leões; de Estêvão, apedrejado por testemunhar da salvação em Cristo; de Saulo, perseguidor de cristãos, e, já Paulo, diversas vezes preso e condenado por ser discípulo de Cristo, quando apresentou sua defesa.

Mesmo sendo os cristãos respeitadores da autoridade temporal, conforme textos como Marcos 12:13-17; Atos 26:9-12; Romanos 13:1-7; I Timóteo 2:1-2; Tito 3:1-2; I Pedro 2:13-17, continuam sendo alvo de perseguição por parte de outros indivíduos por causa da liberdade de adorar a Deus.

Um segundo aspecto também merece atenção. Ao se tornar um cristão, o indivíduo adota a cosmovisão bíblica como fonte de explicação da realidade e autoridade sobre a conduta. Ela passa a comandar as esferas da vida particular e a julgar a pertinência de ideologias políticas, filosóficas, científicas ou de qualquer outra natureza que se apresentem ao crente em Deus.

Assim, caso o cristão queira adotar uma ideologia para viver, tal ideologia competirá com a autoridade da Bíblia, e o resultado desse embate mostrará o que é mais importante para ele, se a Palavra de Deus ou se ideologias humanas. Ainda, se o reino de Deus não é deste mundo (João 18:36), e se os filhos de Deus também não o são (João 17:14, 16, 18), por que adotar uma ideologia do mundo? Por acaso, querem viver no mundo para sempre? Mais: sendo que a Verdade e a Vida são Cristo e Sua Palavra (João 6:63; 14:6), por que procurar outras fontes para guiar a existência? Ideologias são incapazes de dar a Vida e a Verdade, e, a não ser que se esteja buscando outras coisas diferentes delas, não faz sentido adotar uma ideologia humana. Por fim, mas não menos importante, não é possível servir a dois senhores (Mateus 6:24): é preciso decidir se a Bíblia será a autoridade normativa sobre a vida.

“Tenham cuidado para que ninguém os escravize a filosofias vãs e enganosas, que se fundamentam nas tradições humanas e nos princípios elementares deste mundo, e não em Cristo” (Colossenses 2:8, versão Nova Versão Internacional).

Mas pensar assim não seria uma atitude passiva e omissa em relação às desigualdades desse mundo?

A Bíblia diz que injustiças e desigualdades só acabarão quando Jesus voltar (Marcos 14:7; Apocalipse 21:4). Até lá, a humanidade conviverá com elas, mas Deus segue restaurando no ser humano a dignidade tomada pelo pecado. A Bíblia chama indivíduos para agir efetivamente em prol do outro, dando seu tempo, seu dinheiro, suas forças, bom ânimo, afeto. Isso é tarefa de cada um, mandada por Deus (Mateus 7:12; Romanos 15:1; Gálatas 6:2). Agir em prol do outro nunca será passividade ou omissão. E não é preciso ideologia para aliviar o sofrimento (Mateus 25:40). [Equipe ASN, Felipe Lemos]

Moléculas orgânicas preservadas em plantas fossilizadas são usadas para classificação biológica

Ginkgo biloba fossilizado
O sequenciamento genético é a base primária para se entender as relações entre as plantas que existem hoje. Isso não é possível em plantas fossilizadas, uma vez que nelas o DNA não se encontra preservado (exceto por alguns fragmentos relatados para exemplares com idades estimadas em até 1 milhão de anos, segundo a cronologia tradicional). Entretanto, plantas fossilizadas de supostas dezenas de milhões de anos contêm uma variedade de outras moléculas orgânicas preservadas, e foi com base nessas moléculas que um grupo de pesquisadores tentou estabelecer relações entre elas.

A cutícula é uma camada de cera protetora que reveste a epiderme das folhas de quase todas as plantas vasculares modernas. Entre suas funções está a proteção contra desidratação, ataques por insetos e luz ultravioleta. Dentre os materiais biológicos que são preservados nos fósseis de plantas, a cutícula está entre os que apresentam componentes químicos com menor alteração pelos processos resultantes do soterramento e diagênese térmica. As cutículas são constituídas majoritariamente de uma membrana insolúvel de lipídios, o que significa dizer que são relativamente impermeáveis a água e gases.

Primeiramente, os pesquisadores usaram espectroscopia no infravermelho para analisar o material das cutículas de plantas vivas que possuem correspondentes no registro fóssil. As análises espectroscópicas foram combinadas com uma técnica matemática conhecida por análise de agrupamento hierárquico, que permite agrupar os indivíduos de uma amostra com base em um conjunto de características (neste caso, seus espectros de infravermelho). Eles perceberam que o agrupamento fornecido pelo seu método correspondia exatamente à classificação biológica obtida a partir do sequenciamento do DNA.

Uma vez estabelecido que o método funcionava para plantas vivas, passou-se para a análise das plantas fossilizadas. Entre as plantas estudadas, estavam coníferas e algumas espécies de Ginkgo. Durante o jurássico, o gênero Ginkgo era muito diverso, mas hoje resta somente uma espécie, o Ginkgo biloba. Os pesquisadores coletaram folhas fossilizadas em rochas na Suécia, na Austrália, na Nova Zelândia e na Groelândia. As espécies fósseis extintas apresentaram muitas semelhanças com parentes modernas. Por exemplo, a figura 1 do artigo original (veja aqui) mostra o espectro de infravermelho para aAraucaria haatii (fóssil, do Cretáceo Superior) e da Araucaria bidwillii (encontrada nos dias de hoje). As diferenças na parte direita da figura 1 indicam a ausência de polissacarídeos (celulose e hemicelulose) na amostra fossilizada, provavelmente decompostos no processo de diagênese. A região à esquerda mostra a presença de compostos contendo alcenos e alcano alifáticos, tanto na amostra fóssil quanto na da planta atual.

Quando o método de análise de agrupamentos foi aplicado aos espectros de infravermelho das amostras fósseis, obteve-se um agrupamento semelhante ao observado para suas parentes modernas. Em outras palavras, as espécies de ginkgo extintas se agrupavam quimicamente, assim como as cicadófitas e as coníferas. Foi a primeira vez que plantas fossilizadas de dezenas de milhões de anos (segundo a cronologia evolucionista) foram classificadas com segurança de acordo com suas assinaturas químicas.

No que se refere à questão da origem da vida, chama a atenção aqui a alegada preservação de moléculas orgânicas por um período de tempo tão extenso. Estamos falando de algo próximo a 200 milhões de anos! Moléculas orgânicas são muito frágeis. Em um laboratório de pesquisa, é comum que os compostos sintetizados ao longo de um trabalho sejam armazenados a baixas temperaturas para evitar degradação. Boa parte dos reagentes químicos é estocada em frascos âmbar para diminuir as chances de reações iniciadas por luz e são mantidos bem fechados para evitar o contato com oxigênio e umidade. Mesmos assim, os reagentes químicos possuem prazos de validade e, após alguns meses ou anos, apresentam alterações. É realmente muito difícil aceitar a proposta de que alcenos tenham permanecido quase intactos por milhões e milhões de anos. Não seria a presença dessas moléculas evidência de que a fossilização foi bem mais recente do que normalmente se aceita? Afinal, a fossilização, particularmente a de plantas, é um evento relativamente rápido, contado em períodos de anos e décadas (confira aqui).

Referências

V, Vajda, M. Pucetaite, S. McLoughlin, A. Engdahl, J. Heimdal, P. Uvdal, Molecular signatures of fossil leaves provide unexpected evidence for extint plant relatioship, Nature Ecology & Evolution, vol 1, p. 1093-1099, 2017.

Lund University News and Press Releases, Through fossil leaves, a spet towards Jurassic Park, (http://www.lunduniversity.lu.se/article/through-fossil-leaves-a-step-towards-jurassic-park), acessado em 16 de agosto de 2017.

Postado por Rodrigo Meneghetti Pontes em Origem e Vida

sábado, 5 de agosto de 2017

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

sábado, 29 de julho de 2017

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Sputnik, darwinismo e a reescrita da história à la viés ideológico

"Vocês sabem que a União soviética saiu na frente dos Estados Unidos na corrida espacial, com o Sputnik, porque começou a ensinar Darwin desde cedo, na escola. Enquanto os Estados Unidos negava Darwin, inclusive tinha um deputado, que agora me foge o nome, fez uma campanha para desconstruir o pensamento cientifico de Darwin que, no entanto está cada vez mais vivo. Qual foi o resultado? A União Soviética saiu na frente na corrida espacial. Logo os Estados Unidos viu que perdeu, e voltou a ensinar Darwin desde lá nos primórdios da escola." Leonel Brizola (PSOL-RJ)

Eu sinceramente desconheço quem começou a propagar essa associação totalmente desprovida de qualquer fundamento. A teoria evolutiva não tem qualquer relação com foguetes ou façanhas espaciais. Identifiquei no entanto que se trata de uma reescrita histórica aos moldes do ativismo ideológico:

"Em nome desses ideais [marxistas] sacrificou-se, muitas vezes, a objetividade científica e a verdade histórica, criou-se, à margem da narração imparcial dos fatos, uma anti-história e uma 'paraciência'". José Arthur Rios, sociólogo.

Os Estados Unidos foram mal na corrida espacial pelo planejamento robusto, mas cuidadoso, que entretanto valorizava mais a vida humana enquanto os soviéticos ocultavam seus acidentes e falhas. O programa americano era robusto, mais difícil que o soviético, isso traria benefícios apenas uma década depois. Na verdade a opção mais robusta resultou em fracassos simultâneos ao sucesso soviético (Vanguard vs Sputnik). Ambos os projetos foram baseados nos desenvolvimentos de Werner von Braun, um criacionista (que ironia não?). Essa parte é excluída da história porque existe a necessidade do foguete depender do ensino da evolução nas escolas, é claro.

A realidade é que os EUA perderam miseravelmente em número de façanhas. Enquanto os americanos contavam com seus cientistas e alemães para o projeto espacial e nuclear, os russos contavam com seus próprios cientistas, outros alemães e espiões em praticamente todos os projetos. Os americanos mantinham certa vigilância sobre homens como von Braun e até mesmo Oppenheimer (diretor do Projeto Manhattan).

Todos os meus amigos “soviéticofilos” sabem e conhecem a surra aplicada pelos russos que inclui (colando aqui só o que consta na Wiki) primeiro míssil balístico intercontinental, o primeiro satélite artificial(1957), o primeiro animal no espaço (1957), o primeiro homem no espaço (1961), a primeira mulher no espaço, a primeira caminhada no espaço, o primeiro veículo a entrar em órbita solar (1959), o primeiro impacto na Lua (1959), a primeira imagem do lado escuro da Lua (1959), o primeiro pouso suave na Lua(1966), o primeiro satélite artificial da Lua (1966), o primeiro rover na Lua (1970), a primeira estação espacial, a primeira sonda interplanetária, entre outras coisas.

O que você aprendeu hoje? Três coisas:

1. Que na verdade essa narrativa é tendenciosa, o que houve foi uma oportunidade de se inserir a teoria no currículo (o que é justo visto que políticos não tem que decidir nada sobre isso).

2. Que ironicamente era um criacionista o cara que liderava o projeto espacial americano e já havia proposto em 1954 (três anos antes da Sputnik) o seu trabalho que foi rejeitado. Por fim, liderou o projeto que em 16 de julho de 1969 levou o homem à Lua.

3. Que as características dessa narrativa, repetida por aí, configuram ativismo sutil, o mais persuasivo e perigoso de todos. Isso tem raízes ideológicas da mesma natureza que o ativismo político.

Referência

[1] Leonel Brizola Neto na Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro.
[link]

Fonte: TDI Brasil

Apresentação - Ana Júlia


Primeiros 3 meses de vida da minha filha Ana Júlia, a nossa princesinha que o Criador da vida nos presenteou.

Museu de Israel (parte 2) - Evidências

Estado Islâmico, Israel, Religiões, Fé e Razão pelo Dr Rodrigo Silva

segunda-feira, 17 de julho de 2017

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Museu de Israel (parte 1)

segunda-feira, 10 de julho de 2017

XXV Seminário "A Filosofia das Origens"- Porto Velho


Nosso próximo Seminário "Filosofia das Origens" será no período de 20 a 22/10/2017 em Porto Velho - Rondônia. Mais informações em breve no site www.filosofiadasorigens.org.br

História registrada nas rochas - Origens

sexta-feira, 7 de julho de 2017

1º Congresso Internacional de Arqueologia Bíblica


Ocorrerá entre os dias 12 e 15 de outubro de 2017 no Unasp-Campus Engenheiro Coelho.

Com a participação dos seguintes palestrantes:

ADOLFO ROITMAN
Licenciado em antropologia, mestre em religiões comparadas e doutor em literatura e antigo pensamento judaico pela Universidade Hebraica de Jerusalém. Curador dos Manuscritos do Mar Morto e diretor do Santuário do Livro no Museu de Israel. Participou de documentários para o National Geographic Channel.

ELI SHUKRON
Mestre em Arqueologia pela Universidade Hebraica de Jerusalém. Arqueólogo do Israel Antiquities Authority. Descobriu a Piscina de Siloé. Lidera escavações na Cidade de Davi.

DAVID SEDACA
Mestre em teologia, psicólogo pela Universidade de Harvard e professor de Pós Graduação de Judaísmo Messiânico do Instituto "Charles Feinberg" da Escola de Teologia de Nova York.

RODRIGO SILVA
Doutor em arqueologia clássica. Professor do UNASP e curador do MAB – Museu de Arqueologia Bíblica do UNASP. Apresentador do programa da TV Novo Tempo "Evidências".

JORGE FABBRO
Bacharel em Direito e Mestre em Arqueologia e Literatura Hebraica. Presidente da ABAMO - Associação Brasileira de Arqueologia do Mediterrâneo Oriental.

O tanque de Bethesda - Evidências

quarta-feira, 5 de julho de 2017

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Enganos que envolvem o mundo

O islamismo e seu papel no contexto do fim dos tempos


Nos últimos anos o islamismo foi alçado ao centro das atenções no mundo. Essa popularização ganhou força com os atentados que derrubaram as famosas Torres Gêmeas. As imagens das torres em chamas, exploradas à exaustão, funcionaram com uma propaganda, e o crescimento posterior do islã sugere a eficácia dela. Segundo relatório do Pew Research Center, em 2050 os muçulmanos deverão chegar a 29,7% da população mundial, bem perto dos 31,4% de cristãos. A proporção atual é de 22,5% para 33%. Uma das grandes surpresas é que a Europa deverá ter 10% de muçulmanos em 2050. A população cristã na Europa e nos Estados Unidos encolheu de 93% em 1910 para 63% em 2010, embora tenha crescido na África e América do Sul.

Além do crescimento, impulsionado também por taxas de natalidade, o islamismo tem chamado a atenção por causa da “primavera árabe” e das grandes migrações provocadas pela expansão do Estado Islâmico. De fato, o 11 de Setembro inaugurou uma nova modalidade de guerra. O mundo vive uma condição sócio-política sem precedentes. Jon Paulien diz que é a primeira vez na história que as nações ocidentais enfrentam um inimigo de natureza religiosa (Armageddom at the Door [Hagerstown, MD: Review and Herald, 2008], 184).

Diante da grandeza e universalidade desses fatos, muitos estudiosos têm ido às profecias bíblicas em busca de descrições que revelem a emergência do islamismo e seu papel no contexto do fim dos tempos. No entanto, a profecia bíblica revela o futuro da perspectiva do grande conflito e trata dos poderes que se relacionam diretamente com o povo da aliança, como aliados ou perseguidores. Nesse caso, a tensão terrorista entre Oriente Médio e Ocidente, entre muçulmanos e judeus ou cristãos, como forças históricas, não é necessariamente um tema nas profecias. Apesar disso, as visões do tempo do fim incluem todos os “reis” da Terra, uns fracos e outros fortes (Dn 2:43, 44), ou os “reis do mundo inteiro” (Ap 16:14), e todos que “habitam sobre a terra” (Ap 13:14), entre os quais certamente estão os atuais países de maioria muçulmana.

O “tempo do fim”, apontado pela profecia de Daniel, começa no final do século 18. Além dos capítulos 2, 7 e 8, Daniel 11:40 a 45 provê um importante vislumbre desse período, com a imagem do conflito final entre o rei do Sul e o do Norte, no qual diversos povos são envolvidos. Até o v. 39 o profeta descreve os ataques do rei do Norte (papado) aos fiéis de Deus na Idade Média, ao estabelecer a “abominação desoladora” (v. 31). No entanto, o rei do Sul interrompe a opressão, com a Revolução Francesa (v. 40; cf. Ap 11:7-12).

Mais à frente, o Sul é finalmente derrotado pelo Norte, ou seja, o papado suplanta os poderes ateístas e materialistas (v. 40-43). Por fim, o rei do Norte investe contra os santos (v. 44), a mesma batalha do Armagedom (Ap 12:17; 13:15; 16:16). Nessa última investida do Norte, o profeta diz que “muitos países cairão, mas Edom, Moabe e os líderes [as primícias] de Amom ficarão livres” (v. 41, NVI). A visão toda é relacionada ao povo da aliança, pois o anjo diz: “Agora, vim para fazer-te entender o que há de suceder ao teu povo nos últimos dias” (Dn 10:14).

Será possível que o islamismo faça parte desse cenário?

O relato de Daniel 11:40 a 45 reflete certos elementos do êxodo e da peregrinação dos israelitas para a terra de Canaã. Na jornada, eles não tiveram qualquer apoio, senão hostilidade por parte de Edom, Moabe e Amom, por cujas terras poderiam ter atravessado.

No contexto bíblico, os edomitas, moabitas e amonitas são tradicionais inimigos de Israel. Entretanto, eles são parentes ligados por laços sanguíneos a Abraão. Os moabitas e amonitas descendem de Ló, o sobrinho do patriarca. “E assim as duas filhas de Ló conceberam do próprio pai. A primogênita deu à luz um filho e lhe chamou Moabe: é o pai dos moabitas, até ao dia de hoje. A mais nova também deu à luz um filho e lhe chamou Ben-Ami: é o pai dos filhos de Amom, até ao dia de hoje” (Gn 19:36-38). Por sua vez, os edomitas são os descendentes de Esaú, que é conhecido também como Edom (Gn 36:1). Por meio de Esaú, os descendentes de Ismael foram reconectados ao pai Abraão. Moisés conta que “Esaú foi à casa de Ismael” e “tomou por mulher a Maalate, filha de Ismael” (Gn 28:9).

Assim, os três povos têm suas origens ligadas a Abraão, por meio de Ló, Ismael e Esaú. Mas a inimizade perpetuou entre eles e Israel.

Por ocasião do êxodo, Edom ameaçou Israel: “Não passarás por mim, para que não saia eu de espada ao teu encontro” (Nm 20:18). Mais tarde, após a conquista de Canaã, os filhos de Israel tiveram problemas permanentes com esses vizinhos. “Os amonitas e os moabitas, junto com os edomitas, invadiram o nosso país” (2Cr 20:10).

O Salmo 83 é bastante representativo dessa inimizade histórica entre Israel e os reinos de Edom, Moabe, Amom e Ismael. O salmista clama pela intervenção divina em um momento quando não só a segurança, mas a sobrevivência de Israel parecia ameaçada diante de uma aliança de seus inimigos, entre os quais se destacavam os povos aparentados. Diz o salmo: “Ó Deus” os teus inimigos “tramam astutamente contra o teu povo”, dizendo: “Vinde, risquemo-los de entre as nações; e não haja mais memória do nome de Israel.” Os inimigos de Israel firmaram “aliança”, incluindo entre eles “as tendas de Edom e os ismaelitas, Moabe”, “Amom”; eles estão unidos à “Assíria”, constituindo “braço forte aos filhos de Ló” (Sl 83:1-8). É curioso que os ismaelitas sejam incluídos aqui, como parte da aliança inimiga. Isso sugere que a relação deles com Edom não se restringiu ao casamento da filha de Ismael com Esaú.

Até o tempo do cativeiro babilônico, os três povos ainda afligiam os judeus (2Cr 20:10-11; Jr 9:26). Deus anunciou juízos contra eles (Jr 25:21; Ez 25:11; Sf 2:9). Entretanto, também fez promessas de salvação, com a típica expressão “mudarei a sorte de Moabe…” e “de Amom” (Jr 48:47; 49:6; Dn 11:41; cf. Am 9:12-14). O Senhor prometeu que Israel, por fim, iria integrar o remanescente de Edom (Am 9:12); e que Edom, Moabe e os filhos de Amom seriam parte do reino messiânico (Is 11:14).

Mas, quem seriam esses povos na profecia do “fim dos tempos”?

No período do Império Romano, Moabe já não existia mais, e Edom e Amom já não tinham qualquer influência ou poder político (ver The Achor Bible Dictionary, vol. 1:195). Portanto, de quem Daniel estaria falando?

O teólogo adventista Ángel Manuel Rodríguez propõe que essas nações são mencionadas por Daniel como “símbolos” de outras realidades e não como “entidades geográficas” (“Daniel 11 and the Islam Interpretation”, Biblical Research Institute Release 13, maio de 2015, p. 11). Para ele, Moabe seria “representativo daquelas nações que virão ao monte de Deus a fim de aprender seus caminhos” de salvação (Is 16:1-5).

Diante disso, Rodríguez diz: “Uma vez que Daniel também constrói sua profecia sobre a escatologia do Antigo Testamento, fica sugerido que as três nações, associadas ao êxodo de Israel do Egito, parecem representar pessoas das nações que invocarão o nome do Senhor e encontrarão refúgio e libertação no monte Sião” (p. 11). Assim, ele relaciona Edom, Moabe e Amom ao chamado “povo meu” que ainda está em Babilônia e que será chamado a sair (Ap 18:4) e se juntar ao remanescente fiel (Ap 12:17) a fim de formar o remanescente escatológico que verá o Senhor voltar. “Essas pessoas são encontradas em todas as comunidades cristãs e no mundo religioso” (p. 20).

Essa é realmente uma boa possibilidade. No entanto, pode parecer um pouco restritiva se enfatizar só “comunidades cristãs” em um tempo quando o evangelho deverá soar com poder no mundo todo, incluindo a Ásia, o Oriente Médio e Norte da África.

De fato, certas figuras históricas são empregadas nas profecias como símbolos, mas em geral representando entidades mais específicas. Jezabel (Ap 2:20; 17:4) já não existe mais, nem há uma montanha como o nome de Armagedom (Ap 16:16).

Entretanto, o significado profético desses símbolos depende necessariamente do que essas figuras são na história bíblica. Além disso, o conjunto “Edom, Moabe e os filhos de Amom” é tão marcado nas Escrituras (cf. 2Cr 20:22; Is 11:14; Jr 9:26; 25:21; 27:3; 40:11; Sf 2:8) que dificilmente Daniel usaria a expressão sem nenhuma conexão com os três históricos povos vizinhos e inimigos de Israel. Como estadista ele trata de povos e nações bem definidos (Dn 7:17; 8:20, 21).

No contexto bíblico, é curioso que, ao prometer restauração a Edom, Deus inclua outras nações como sendo chamadas pelo seu nome: “Naquele dia”, ou seja, o dia do Senhor, “levantarei o tabernáculo caído de Davi”, no reino messiânico, ocasião em que Israel vai possuir ou incluir o remanescente “de Edom” e de “todas as nações que são chamadas pelo meu nome, diz o Senhor” (Am 9:11, 12). Seriam essas nações chamadas pelo nome de Deus também descendentes de Abraão, por meio de Ló, Ismael e Esaú, a exemplo de Israel?

A tradição islâmica considera a Caaba, o mais importante templo árabe, na Arábia Saudita, como obra de Abraão e Ismael. Alguns muçulmanos fazem menção ao texto de Gênesis 12:7 e 8, como indicativo desse empreendimento: “Apareceu o Senhor a Abrão e lhe disse: Darei à tua semente esta terra. Ali edificou Abrão um altar ao Senhor, que lhe aparecera. Passando dali para o monte ao oriente de Betel, … ali edificou um altar ao Senhor.” Este texto é visto em paralelo à passagem de Alcorão, cap. 2, v. 127: “E quando Abraão e Ismael elevam as fundações da casa, dizendo, Nosso Senhor! aceita de nós (este trabalho).”

Assim, para a tradição islâmica, o altar ou casa que Abraão e o filho Ismael edificaram seria no exato local da atual Caaba, em Meca (cf. Ira G. Zepp, A Muslim Primer: Beginner’s Guide to Islam [The University of Arkansas Press, 2000], 5). Desta forma, os muçulmanos mantêm a tradição de que a religião fundada por Maomé, no 7º século, em Meca, tem suas raízes no monoteísmo estabelecido pelo pai da fé, de quem também se julgam descendentes espirituais. Os árabes pré-islâmicos circuncidavam seus filhos aos 13 anos, na idade em que que “Ismael, o pai da nação”, foi circuncidado. Os “sarracenos”, nome comum dos árabes antes do islamismo, ligavam suas origens a Ismael (F.E. Peters, Muhammad and the Origins of Islam [State University of New York Press, 1994], 120). “Os muçulmanos reivindicam que a grande nação prometida a Ismael é o povo árabe, que teria produzido o profeta Maomé” (Zepp, 5).

Os atuais estados do Líbano, Iraque, Síria e Jordânia, vizinhos dos árabes, foram estabelecidos após a Primeira Guerra Mundial, em parte do antigo território do Império Otomano. A religião fundada por Maomé, no 7º século, espalhou-se por esses territórios, que hoje têm maioria absoluta de muçulmanos. Curiosamente, parte do território dessas nações muçulmanas eram os antigos reinos de Edom, Moabe e Amom, os povos que Daniel diz que vão escapar do rei do Norte, no tempo do fim (ver mapa) e que são mencionados como aliados dos “ismaelitas” no Salmo 83 (v. 6).



Teria Deus entre essas nações um “povo seu” que poderá se juntar ao remanescente fiel no tempo do fim? Haverá entre eles quem possa “escapar” das mãos do “rei do Norte”, o papado?

Ao incluir Edom, Moabe, Amom e Ismael entre os inimigos de Israel, o Salmo 83 assume os contornos de uma profecia. O salmista retrata as guerras de Israel como um evento do grande conflito entre Deus e Satanás, no qual o povo da aliança é ameaçado por uma aliança entre as diversas nações do mundo. Essa mesma visão é refletida no Apocalipse quando João vislumbra o Armagedom. Ele fala de uma aliança entre os três espíritos de demônios, que representam as religiões da Terra, com os “reis do mundo inteiro” com o fim de destruir o Israel de Deus (Ap 16:13-16).

Nesse conflito final todas as nações da Terra estarão unidas em batalha contra o Israel de Deus. Os inimigos desejarão banir da Terra os guardadores do sábado, o selo de Deus. Segundo o Apocalipse (12:17; 13:14, 15; 16:16), a Babilônia terá o apoio dos reis da Terra em sua investida contra os santos. Entretanto, segundo Daniel 11:44 e 45, nesse conflito, o povo de Deus vence o rei do Norte. Além disso, um remanescente ou as primícias de Edom, Moabe e Amom serão integradas ao remanescente fiel.

Por que descendentes desses inimigos históricos de Israel deveriam ser preservados do poder do rei do Norte, ou da Babilônia, na crise final?

Curiosamente, Deus menciona um tipo de “pacto” com esses povos. Além da aliança com Israel como nação eleita, que recebeu por herança a terra de Canaã, Deus também tinha uma consideração especial por esses povos descendentes de seu amigo Abraão (Is 41:8; Tg 2:23). Ele disse claramente aos israelitas sobre os descendentes de Esaú: “Não vos darei a sua terra, nem ainda a pisada da planta de um pé; porquanto a Esaú [Edom] tenho dado a montanha de Seir por herança.” Além disso, Deus também falou dos filhos de Ló: “Então, o Senhor me disse: Não molestes Moabe e não contendas com eles em peleja, porque não te darei possessão da sua terra; pois dei Ar em possessão aos filhos de Ló” (Dt 2:5, 9).

Apesar da inimizade histórica entre esses povos e os israelitas, Deus parece, segundo esses textos, considerar a descendência dos mesmos por amor a Abraão. E, assim como Ele salva um remanescente dos judeus (Rm 11:5), um remanescente, ou as primícias, dos descendentes de Ismael, Ló e Esaú também pode estar em foco na profecia de Daniel.

Antes da investida final do rei do Norte, o remanescente fiel que guarda “os mandamentos de Deus” (Ap 12:17), sob o poder do Espírito Santo, fará soar o alto clamor. A Babilônia será desmascarada e o último apelo da graça alcançará os filhos de Deus que ainda se acham em seu domínio estendido sobre todo o globo, incluindo Oriente Médio e Ásia, os quais sairão dela para se juntar ao remanescente fiel de Deus e preparar-se para ver Jesus em glória e majestade. Entre esse imenso grupo a sair de Babilônia (o conjunto ecumênico das religiões mundiais) pode se esperar uma multidão de sinceros muçulmanos, filhos de Ismael, Ló e Esaú.

Afinal, Deus tem uma consideração pelos demais filhos espirituais de seu amigo Abraão, os quais são monoteístas, creem no juízo final, têm normas de temperança e acreditam na criação segundo o Gênesis. Sem dúvida, além das “comunidades cristãs”, há entre eles aqueles que respeitam a vida criada por Deus, não praticam o terrorismo e aguardam a manifestação do Messias. Dentre esses, um grupo numeroso poderá atender ao chamado “sai dela, povo meu” para se juntar ao povo da aliança eterna.

Vanderlei Dorneles (via Revista Adventista)

Nota do blog Megaphone Adv: Há apenas um parágrafo nos escritos de Ellen G. White, uma referência histórica no apêndice de O Grande Conflito, em que ela menciona o que hoje chamamos de Islamismo:

"O Salvador disse: 'Quem crê no Filho tem a vida eterna; mas aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus sobre ele permanece' (Jo 3:36). E outra vez ele disse: 'E a vida eterna é esta: que te conheçam a Ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste' (Jo 17:3). O Islamismo tem seus conversos em muitos países, e seus defensores negam a divindade de Cristo. Será esta crença propagada, sem que os defensores da verdade consigam demonstrar intenso zelo pela derrota do erro, ensinando aos homens sobre a preexistência do único Salvador do mundo? Oh, como precisamos de homens que esquadrinhem e creiam na Palavra de Deus, que apresentem Jesus ao mundo em Sua natureza divina e humana, declarando com poder na demonstração do Espírito que 'debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devemos ser salvos' (At 4:12). Oh, como precisamos de crentes que apresentem Cristo na vida e no caráter, que O representem diante do mundo como o resplendor da glória do Pai, proclamando que Deus é amor!" (The Home Missionary, setembro de 1892)
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